“Fraternidade e Moradia”: campanha da CNBB estimula projetos, parcerias e ações em prol do acesso à moradia digna 

A Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”, já se traduz em iniciativas concretas em diferentes regiões do país. Proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a realidade de pessoas e famílias que não têm acesso a uma moradia adequada e a transformar essa reflexão em ações de solidariedade, conscientização e promoção de direitos.

A proposta parte da compreensão de que a moradia digna está diretamente relacionada à vida e à dignidade humana. Por isso, a Campanha busca mobilizar comunidades, pastorais, organismos, instituições e o poder público para enfrentar diferentes situações de vulnerabilidade relacionadas à habitação.

Um dos principais instrumentos para transformar o gesto concreto da Campanha em ações é o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Formado a partir dos recursos arrecadados com a Coleta Nacional da Solidariedade, o Fundo apoia projetos sociais que buscam responder às necessidades de comunidades e populações em situação de vulnerabilidade.

Fundo Nacional de Solidariedade apoia projetos

Em 2026, os projetos relacionados à Campanha da Fraternidade sobre a Moradia estão organizados em três eixos. O primeiro contempla projetos de apoio emergencial às populações em situação de vulnerabilidade e extrema vulnerabilidade social decorrente da falta de moradia.

O segundo eixo é destinado a projetos de construção, reforma e demais iniciativas coletivas que promovam o acesso à moradia digna. Já o terceiro reúne projetos de conscientização, formação e articulação para a promoção do direito à moradia digna e aos bens essenciais, à luz da Doutrina Social da Igreja.

Na primeira reunião do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) de 2026, foram aprovados 26 projetos. Já na segunda reunião do ano, outros 50 projetos receberam aprovação, com a destinação de mais de R$ 2 milhões em recursos.

Dos 50 projetos contemplados nesta segunda etapa, 25 estão inseridos no segundo eixo de atuação do FNS, destinado a iniciativas de construção, reforma e outras ações coletivas que contribuam para garantir o acesso à moradia digna.

Entre os projetos aprovados está uma iniciativa que receberá R$ 50 mil para a realização de obras no Setor Santa Luzia, na Estrutural (DF). A ação deverá beneficiar diretamente 30 pessoas e alcançar, de forma indireta, cerca de 50 moradores da comunidade. Saiba mais sobre a iniciativa (aqui).

A diversidade dos projetos apoiados reflete a própria proposta da Campanha: atuar tanto diante de situações emergenciais quanto na construção de soluções coletivas e no fortalecimento da consciência sobre o direito à moradia.

Campanha mobiliza comunidades e iniciativas pelo Brasil

A mobilização proposta pela CF 2026 também tem gerado iniciativas nas Igrejas particulares e em diferentes espaços da sociedade civil.

Uma dessas ações, a mais recente, foi a assinatura de um Protocolo de Cooperação entre a CNBB e a Secretaria-Geral da Presidência da República em defesa do direito à moradia. A parceria busca fortalecer o diálogo e a articulação entre a Igreja e o poder público para a promoção da moradia digna. A iniciativa integra o conjunto de ações que procuram dar concretude ao tema da Campanha da Fraternidade 2026 e ampliar o debate sobre o direito à habitação adequada.

Alessandra em entrevista à TV Pai Eterno

“Nós, enquanto CNBB, temos a oportunidade de avançar no diálogo com as dioceses e paróquias, apresentando os programas habitacionais oferecidos pelo Governo, sobretudo para a população de baixa renda, como auxílio para reformas, construção de banheiros e o Minha Casa, Minha Vida. A paróquia pode funcionar como um radar para identificar situações de ausência de moradia ou de moradia inadequada e, a partir dessa realidade, promover oficinas, formações e seminários”, explica.

A Comissão para terá papel no apoio às iniciativas decorrentes do acordo e na construção de uma agenda de encontros entre agentes pastorais, lideranças comunitárias e representantes do Governo Federal.

O acordo também prevê atenção aos conflitos fundiários urbanos e rurais. De acordo com Alessandra, a presença da Igreja nos territórios pode contribuir para identificar comunidades que enfrentam problemas relacionados à regularização fundiária e facilitar o diálogo com os órgãos públicos responsáveis.

“A Igreja conhece os territórios e sabe onde existem problemas fundiários, áreas regularizadas ou ocupações, tanto na cidade quanto no campo. Nosso papel também é acessar os assessores e consultores da Presidência da República para identificar esses territórios que ainda vivem sem documentação legal e compreender o que está acontecendo: a quem pertence o território? A quem pertence o lote? A Doutrina Social da Igreja nos ensina que a terra deve cumprir uma função social”, afirma.

A partir desse diálogo, explica a assessora, a Secretaria-Geral da Presidência da República poderá articular outros ministérios e órgãos públicos envolvidos na busca de soluções para os conflitos identificados.

Para Alessandra, a assinatura do protocolo representa o início de um processo que deverá resultar na elaboração de um plano de ação conjunto.

“Esse é apenas o início do caminho. Agora temos um grupo técnico e continuaremos dialogando para construir um plano de ação que organize, de maneira estratégica, tudo aquilo que foi acordado. Teremos reuniões com a equipe técnica do Governo Federal, agentes de pastoral e lideranças comunitárias para que o plano saia do papel”, explica.

A assessora também destaca a importância da cooperação entre sociedade civil e poder público:

“Para que uma democracia seja realmente efetiva, sociedade civil e governo precisam trabalhar juntos. Cada um deve se sentir responsável pelo outro, porque somos uma única família humana. É nesse sentido que precisamos compreender que as questões sociais interferem diretamente no modo de vida das pessoas”, completa.

Ações concretas

Além da articulação institucional, diferentes iniciativas relacionadas à Campanha da Fraternidade 2026 têm buscado transformar a reflexão sobre moradia em ações concretas.

Em Goiás, uma iniciativa vinculada à Campanha contribuiu para fortalecer o debate sobre o direito à moradia no âmbito das políticas públicas, com a aprovação de uma lei estadual de apoio à Campanha da Fraternidade (saiba mais aqui).

Na Arquidiocese de Belo Horizonte, a iniciativa “Um real, um recomeço” mobiliza os fiéis em favor da moradia digna. A proposta transforma a solidariedade das comunidades em apoio concreto a pessoas e famílias que enfrentam dificuldades de acesso à habitação (saiba mais aqui).

Outro chamado dirigido às comunidades é o “Em cada paróquia, um mutirão por moradia”, apresentado como gesto concreto da CF 2026. A proposta incentiva as paróquias a conhecerem de perto a realidade das famílias que vivem em condições habitacionais precárias e a promoverem ações comunitárias de solidariedade e mobilização (saiba mais aqui).

A atuação também passa pela Pastoral da Moradia e Favela, que realizou um encontro nacional com o objetivo de fortalecer sua missão em todo o país. A programação favoreceu a troca de experiências e o aprofundamento da presença da Igreja junto às populações que vivem em territórios marcados pela precariedade habitacional e pela desigualdade social (saiba mais aqui).

A questão da moradia também esteve presente na 41ª Semana do Migrante, realizada em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026. A iniciativa ampliou a reflexão para a realidade das pessoas migrantes, que muitas vezes enfrentam desafios específicos no acesso à moradia digna e a outros direitos fundamentais (saiba mais aqui).

Moradia como compromisso de fraternidade

As diferentes iniciativas mostram que a Campanha da Fraternidade busca ultrapassar o período da Quaresma e estimular uma mobilização que permaneça nas comunidades ao longo do ano. A proposta é que a reflexão sobre a moradia resulte em ações capazes de alcançar pessoas e famílias que vivem situações de vulnerabilidade.

Nesse caminho, a atuação da Igreja se desenvolve em diferentes frentes: no apoio emergencial, na construção e reforma de moradias, na formação das comunidades, na mobilização social, na atuação das pastorais e na articulação com instituições e o poder público.

Ao colocar a moradia no centro da reflexão da Campanha da Fraternidade, a CNBB chama a atenção para uma realidade que ultrapassa a questão da habitação e envolve saúde, segurança, educação, trabalho, convivência comunitária e dignidade.

A CF 2026 propõe, assim, que a fraternidade se transforme em gesto concreto: olhar para quem não tem onde morar, reconhecer a moradia como direito e unir esforços para construir caminhos que permitam a cada pessoa e família viver com dignidade.

Por Larissa Carvalho

Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Disponivel em: https://www.cnbb.org.br/fraternidade-e-moradia-campanha-da-cnbb-estimula-projetos-parcerias-e-acoes-em-prol-do-acesso-a-moradia-digna/. Acesso em: 21 de agosto de 2026.

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