38ª Semana de Liturgia reflete sobre os ministérios instituídos e os desafios para a participação na vida da Igreja

A 38ª Semana de Liturgia, promovida pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, foi realizada de 19 a 23 de outubro, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), com o tema “Ministérios Instituídos: da Ministeria quaedam à Spiritus Domini – avanços, desafios e perspectivas”. O encontro reuniu participantes para refletir sobre a vocação ministerial da Igreja, a formação litúrgica e os desafios para o exercício dos ministérios nas comunidades.

A programação contou com conferências, oficinas, vivências, momentos de oração e celebrações, com destaque para os ministérios do leitor e do acólito, além das reflexões sobre os espaços celebrativos, as vestes ministeriais e a música litúrgica.

Um dos pontos centrais do encontro foi a ampliação do acesso aos ministérios instituídos, a partir das orientações do Papa Francisco. O padre Patrick da Silva Brandão destacou a importância dos documentos Spiritus Domini e Antiquum Ministerium, publicados em 2021, que abriram os ministérios de leitor e acólito às mulheres e instituíram o ministério de catequista.

“Com a abertura do Papa Francisco, agora as nossas dioceses são desafiadas a aplicar, quer a normativa do Papa, quer o próprio Concílio Vaticano II”, afirmou. Segundo ele, o principal desafio é colocar em prática essas orientações nas Igrejas locais, por meio de uma formação litúrgica integral.

Membros das Equipes de Reflexão dos três setores da Comissão Episcopal para a Liturgia

Formação e ministério da Palavra

A irmã Veronice, das Pias Discípulas do Divino Mestre (PDDM), destacou que a Semana de Liturgia proporcionou um aprofundamento histórico e teológico dos ministérios instituídos, especialmente os de leitor e acólito. Segundo ela, a programação também contou com experiências práticas e atividades voltadas à elaboração de planos de formação para os diferentes ministérios.

A religiosa abordou o ministério do leitor e da leitora à luz dos documentos litúrgicos da Igreja, ressaltando a importância da abertura promovida pelo Papa Francisco, em 2021, que permitiu a instituição de mulheres nesses ministérios.

Ela também destacou que o serviço dos leitores não se limita às celebrações eucarísticas, mas está presente em outras celebrações litúrgicas, incluindo a celebração dominical da Palavra e os sacramentos.

“O leitor e a leitora é um ministério muito importante, que tem a função de anunciar a Palavra, de fazer com que a Palavra, o Verbo, de novo se encarne no meio de nós”, afirmou.

A religiosa ressaltou ainda que cada proclamação da Palavra é uma oportunidade de renovar a experiência da presença de Cristo na comunidade. “Cada proclamação feita pela boca do leitor, pela boca da leitora, mais uma vez o Verbo se faz carne e habita entre nós”, concluiu.

A formação dos acólitos instituídos também esteve entre os assuntos abordados. O padre Marlon Lopes ressaltou a necessidade de preparar homens e mulheres não apenas para exercer os ministérios durante as celebrações, mas também para formar outras pessoas nas comunidades.

“O nosso esforço de fazê-la bem, de celebrá-la bem, dá mais condições a quem participa conosco de deixar-se formar pelo mistério de Deus que se revela em cada celebração”, explicou.

Espaços celebrativos e comunhão

A irmã Laíde Sonda, das Pias Discípulas do Divino Mestre (PDDM), abordou a organização dos espaços celebrativos e sua relação com a vocação ministerial da Igreja. Segundo a religiosa, os ambientes litúrgicos devem expressar a comunhão entre os fiéis e favorecer a participação de toda a assembleia nas celebrações.

Ela destacou a necessidade de superar a concepção de espaços divididos entre aqueles destinados aos ministros, no presbitério, e os reservados aos demais fiéis, valorizando a dimensão comunitária da liturgia.

“O espaço onde nós celebramos deveria revelar o que é a Igreja”, afirmou.

A religiosa também ressaltou a importância de pensar os espaços celebrativos de maneira que a Palavra, a Eucaristia e os diferentes ministérios estejam integrados à assembleia, manifestando a identidade de uma Igreja em que todos são chamados a servir.

“Então, queremos que o espaço seja um espaço de comunhão”, destacou.

Para a irmã Laíde, embora cada ministério tenha sua função específica, todos os batizados participam da missão da Igreja, e os espaços litúrgicos devem tornar visível essa realidade de comunhão.

Vestes ministeriais e a diversidade dos ministérios

Outro tema aprofundado durante a Semana de Liturgia foi o significado das vestes ministeriais. Daniel Carvalho, responsável por uma conferência sobre o assunto juntamente com a irmã Penha Carpanedo, apresentou aspectos históricos, antropológicos e teológicos relacionados ao uso das vestes litúrgicas na tradição cristã.

Segundo ele, as vestes expressam a diversidade dos ministérios na Igreja, distinguindo as funções exercidas pelos ministros, sem estabelecer diferenças quanto à dignidade fundamental dos batizados.

“As vestes dos ministros ordenados e instituídos são aquelas que dão a ver a diversidade dos ministérios na Igreja. Elas distinguem a função dos ministros e não a dignidade fundamental dos batizados”, explicou.

Daniel também destacou que, conforme a Instrução Geral do Missal Romano, a alva é a veste comum dos ministros ordenados e instituídos, incluindo diáconos, presbíteros, bispos, leitores e acólitos. Ressaltou ainda a possibilidade de adaptações às vestes litúrgicas, considerando as particularidades culturais de cada país.

O conferencista enfatizou que as vestes devem contribuir para a beleza das celebrações e manifestar a presença de Cristo, sem se transformarem em instrumentos de distinção ou poder.

“As vestes devem revelar o poder dos sinais na liturgia e não se transformarem em sinais de poder”, afirmou, retomando uma reflexão do bispo italiano dom Tonino Bello.

Articulação entre as equipes de reflexão litúrgica e a CNBB

A irmã Penha Carpanedo destacou a importância da Semana de Liturgia para fortalecer o diálogo entre as equipes de reflexão litúrgica e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Segundo a religiosa, o encontro sempre esteve ligado às equipes de reflexão, mas a edição deste ano fortaleceu ainda mais essa relação, especialmente pela relevância do tema dos ministérios para a Igreja no Brasil.

“O assunto dos ministérios é um assunto tão importante na Igreja do Brasil que a gente precisa realmente de força coletiva, de juntar as forças que nós temos”, afirmou.

A irmã Penha também ressaltou as contribuições do encontro para a reflexão sobre a linguagem não verbal da liturgia, especialmente as vestes ministeriais. Nesse contexto, mencionou um documento recentemente produzido pela CNBB e a importância de aprofundar a inculturação das vestes litúrgicas na realidade brasileira, respeitando os critérios estabelecidos pela Igreja.

Representante da Rede Celebra, a religiosa reafirmou o compromisso da organização com a CNBB e destacou a necessidade de fortalecer a articulação entre os diferentes organismos e equipes que atuam na formação litúrgica.

“Sem isso, a gente não vai avançar, porque há muitas forças contrárias e muito unidas entre si. Então, nós temos que nos unir também entre nós”, ressaltou.

Música litúrgica e participação da assembleia

Os ministérios litúrgico-musicais também integraram a programação. Adenor Leonardo Terra, do Setor de Música Litúrgica, abordou a atuação de cantores, regentes e instrumentistas, destacando que esses serviços devem favorecer a participação ativa, plena e consciente da assembleia nas celebrações.

Daniela Santos, integrante da Equipe de Reflexão da Música Litúrgica e do Centro de Liturgia, ressaltou a importância de unir conhecimento e experiência prática durante a formação.

“As vivências são muito importantes para que, além da compreensão na nossa mente, no nosso intelecto, a gente também experimente esse ministério”, afirmou.

Segundo Daniela, as celebrações também proporcionaram aos participantes a oportunidade de observar o exercício dos ministérios e refletir sobre sua atuação nas comunidades.

Ao longo dos cinco dias, a Semana de Liturgia aprofundou ainda temas como a história dos ministérios, a proclamação da Palavra, a preparação do altar e os programas de formação para leitores e acólitos.

O encontro foi concluído nesta sexta-feira, 23 de outubro, com uma programação que incluiu celebração eucarística, reflexão sobre as vestes ministeriais, avaliação e encaminhamentos para a 39ª Semana de Liturgia.

Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Disponível: https://www.cnbb.org.br/38a-semana-de-liturgia-reflete-sobre-os-ministerios-instituidos-e-os-desafios-para-a-participacao-na-vida-da-igreja/. Acesso em: 23 de outubro de 2026.

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